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quarta-feira, 23 de maio de 2018

Opinião - Caio Bellote

Considero que quem rouba dinheiro do cidadão deve perder a totalidade de seu patrimônio e passar o resto da vida atrás das grades.

Dito isto, vivemos em uma nação em que o dinheiro é colocado como um valor maior do que a vida humana e o resultado disso é que é mais fácil um político ser preso por ser corrupto do que por ser um traficante internacional, por ter mandado matar alguém ou por estar envolvido com tráfico de órgãos.

Parece que nossos investigadores se atém aos crimes contra o patrimônio público e evitam mexer nesses vespeiros, talvez para preservar na cabeça das pessoas a ilusão de que o Brasil é um estado democrático, impedindo-as de ver a quantidade de organizações criminosas que existem dentro do Estado brasileiro.

Conheço muitas pessoas que acreditam que o grande crime do Lula foi a subtração de dinheiro do erário e a incompetência administrativa. Essas pessoas não tem a menor curiosidade em saber sobre assassinatos políticos como Celso Daniel e Yves Hublet e consideram o Foro de São Paulo algo insignificante. A existência desse tipo de mentalidade é a prova de uma falha de caráter muito grande que coloca o dinheiro acima da vida humana e da estabilidade moral da nação.

Uma coisa básica que todos de direita deveriam compreender é que mesmo se o Lula e o PT não tivessem roubado um centavo de dinheiro público sequer, ainda assim eles seriam criminosos pelos atos cometidos contra o Brasil.

Só a existência de uma associação criminosa entre o governo brasileiro e nações estrangeiras com o objetivo de submeter a nossa soberania a uma instância internacional que almeja ser uma nova União Soviética é muito mais grave do que trilhões roubados. Assim como é mais grave que o roubo cada detalhe incluso no famigerado PNDH3 que se aplicado legalizaria o aborto até o nono mês de gestação e acabaria com o Congresso Nacional, substituindo-o por sovietes (conselhos populares) formados por grupos revolucionários que teriam poder de vida e morte sobre a população.

Por onde quer que analisemos o Lula e os petistas presos foram condenados pelos menores de seus crimes e a população conhece apenas a ponta do iceberg. Parece que há um esforço das instâncias oficiais do estado brasileiro em manter a sujeira principal embaixo do tapete para que a população não se assuste com a podridão existente em nosso estado e continue se conformando em aceitar nosso atual modelo de governo como a melhor forma possível de gestão para o Brasil.

Caio Bellote Delgado Marczuk

Facebook, 23 de maio de 2018.

https://web.facebook.com/bellote.caio.52/posts/108212126731496

Notas sobre a instituição e perversão dos restaurantes

1.1) Na França, houve uma pessoa que vendia alimentos aos pobres a um preço que eles pudessem pagar.

1.2) Certa ocasião, foi baixada uma regulamentação determinando que a venda de alimentos só podia ser feita nas feiras e mercados situados em regiões específicas da cidade, inviabilizando o comércio livre de alimentos em qualquer área da cidade de Paris, sobretudo aquelas onde a população mais carente tivesse acesso de modo a comprar os alimentos de que necessitasse. Tratava-se de uma medida higienista.

2.1) Então, essa pessoa teve uma idéia: "já que não posso vender alimentos da minha horta, então eu vou abrir uma casa onde os homens pobres possam ser restaurados".

2.2) Como bom católico que ele era, ele abriu sua casa de restauração, alimentando pessoas por um preço que pudessem pagar. A idéia deu tão certo que a casa de restauração se tornou um lugar democrático: pessoas pobres e pessoas mais abastadas estavam no mesmo lugar alimentando-se de comida de excelente de qualidade por um preço que pudessem pagar. E esse homem se tornou "o restaurante".

3.1) A restauração da esperança começa a partir do momento em que o homem é restaurado da fome e do frio, que são acessórios que seguem o principal: a pobreza.

3.2) Logo, o empreendimento da casa da restauração de homens é fundado na conformidade com o Todo que vem de Deus. E não é à toa que essa idéia veio de um leigo católico.

4.1) Nos Estados Unidos, essa idéia se perverteu com a introdução das redes de fast food, pois a cultura na América é a da salvação pela riqueza, fundada no amor de si até o desprezo de Deus.

4.2) Com a industrialização do ato de comer, a tendência foi a comida perder a sua qualidade, a sua essência restauradora: a fome era saciada, mas ela não tinha os elementos nutritivos necessários de modo a restaurar a pessoa para o trabalho no dia seguinte.

4.3.1) Não é à toa que redes como o McDonald's também apóiam iniciativas revolucionárias, como as fundadas na ideologias de gênero, por exemplo.

4.3.2) Elas não restauram os homens - apenas produzem um arremedo de comida que não alimenta e ainda causa doença, como diabetes e hipertensão. Documentários dessa natureza foram feitos sobre isso. 

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 23 de maio de 2018 (data da postagem original). 

Artigo complementar a este que escrevi:

Como a comida foi industrializada :http://svencrai.com/1Kab

terça-feira, 22 de maio de 2018

Notas sobre alguns aspectos sociológicos do americanismo

1) Confesso que estou criando um verdadeiro asco a duas perguntas que muitos dos EUA costumam me fazer: "what do you do for a living?" e "what are your plans for today, tonight, tomorrow and so on?"

2.1) Eu sou escritor e darei o melhor de mim para prosperar missão que me foi dada por Deus.

2.2) Esse negócio de me perguntar de onde vem o meu sustento é coisa própria dos pagãos, como disse Jesus. E numa cultura onde a riqueza é vista como sinal de salvação, essa pergunta tende a ser uma verdadeira tortura - a América está certamente cheia de pagãos batizados, como bem apontou o Tiago Tomista.

3.1) O Brasil copiou esse aspecto da cultura americana, relegando a vocação de servir a Cristo em terras distantes ao esquecimento. E isso, aliado ao nosso espírito insolidarista, gerou uma mentalidade dinheirista que não se encontra em nenhum outro lugar do mundo.

3.2.1) Além disso, as coisas no Brasil são muito instáveis e difíceis de serem conseguidas; a vida aqui deve ser vivida dia após dia, pois cada época tem suas especificidades, seus próprios problemas. Só assim teremos a dimensão do ontem, do agora e do depois em perspectiva história, já que tempos difíceis criam homens nobres.

3.2.2) Por isso, quem vive a vida em conformidade com o Todo que vem de Deus não faz planos, pois a vida neste mundo é um vale de lágrimas - Deus, através do Espírito Santo, nos guia para fazer o que deve ser feito, pois devemos preparar o caminho do Senhor. E como prêmio, nós adquirimos algumas riquezas que devem ser guardadas para o futuro, para o tempo de vacas magras.

3.2.3) Esta riqueza, se for bem usada, ajudará na construção do bem comum, essencial para se tomar o país como se fosse um lar em Cristo, fazendo distribuir o bom exemplo às futuras gerações, que imitarão este modelo de amizade para com Deus (santidade).

3.2,4) A maior prova de que a vida não é mecanismo é que o planejamento sistemático da vida reduz a pessoa às suas funções na vida, ao seu papel social, a ponto de se tornar um escravo desse papel.

3.2.5) Se sou carpinteiro, eu posso ser substituído por outro carpinteiro, se o objetivo é fazer as coisas com a mesma perfeição técnica e qualidade. Mas isso é utópico, pois cada pessoa é única - logo, o capricho do meu serviço de carpintaria talvez não possa ser bem feito por quem eventualmente me substitua, o que me torna uma espécie de artista ou artífice. E se for bom no que faço, eu me torno famoso, tal como já houve no passado, sobretudos na Idade Média ou no Renascimento.

4) Enfim, estes são alguns aspectos do americanismo que devem ser desprezados: a salvação pela riqueza e a obsessão pela vida planejada. É ilusão buscar neste mundo o paraíso que devemos buscar na vida eterna.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 22 de maio de 2018.

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Sobre a economia de mercado fundada no encontro e sobre a economia de mercado fundada na sujeição

1.1) A verdadeira economia de mercado se pauta no encontro de pessoas na praça.

1.2) Se a praça é o ambiente da sociabilidade, onde as pessoas se conhecem e passam a amar e a rejeitar as mesmas coisas tendo por Cristo fundamento, então é também o encontro onde o necessitado encontra aquilo de que necessita. É essencialmente o lugar onde se serve ao próximo.

2.1) Se as pessoas se encontram na praça, então seus conflitos de interesse se resolvem em praça.

2.2) Por isso que o Fórum Romano era uma praça e um centro comercial - e lá as grandes decisões políticas e judiciais eram feitas, às vistas de todos. Se o Estado é integração, então ele reflete o estado de sua principal praça. Por isso, o Estado garante a liberdade onde o mercado reflete a realidade da praça: um lugar de encontro e não de sujeição. Esse é o Estado de Direito.

3.1) Onde se conserva o que é conveniente e dissociado da verdade, a liberdade será servida com fins vazios.

3.2) A moral será extremamente utilitarista e tenderá a se reduzir ao comando emanado na lei que regula as relações sociais.

3.3) Quando se fala em mercado, não se fala em encontro de vontades, mas na prática humana que interessa ao Estado, já que este parte do pressuposto de que o poder está nas mãos de um príncipe rico e poderoso, no sentido maquiavélico do termo, que pode ser um partido, como bem apontou Gramsci. E ele fará isso concentrando os direitos de usar, gozar e dispor em poucas mãos.

4.1) Se o mercado não se funda em pessoas, mas em ações impessoais que devem ser reguladas pelo direito, já que tudo está no Estado e nada pode estar fora dele e contra ele, então isto é uma característica gnóstica, pois a ações dos homens foram tomadas como coisa em si mesma, sem se levar em conta o caráter de alguém e a natureza do agente que praticou determinada ação.

4.2.1) Se as pessoas são substituíveis umas pelas outras - tanto na posição credora quanto devedora, tal como falei em artigos anteriores -, então as relações econômicas tendem a ser mecânicas e abstratas, pois se reduz à cartularidade e literariedade de um título de crédito. E isso leva ao relativismo moral e a liqüefação dos valores morais, já que tudo se reduziu ao vil metal, que não se reproduz, tal como acontece com um animal ou uma planta. 

4.2.2) Eis o Estado-mercado dos liberais que seguem a linha de Bobbitt: ele necessita do pensamento de Gramsci, Hobbes, Montesquieu e outros pensadores de marcadamente revolucionários. Ele resume bem o estado de natureza hobbesiano, bem típico da cosmologia protestante, onde o mundo é dividido entre eleitos e condenados, uma vez que a riqueza se tornou sinal de salvação e de salvacionismo do próprio status quo do Estado tomado como se fosse religião.
José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 21 de maio de 2018.

Notas sobre a necessidade de preencher uma lacuna que há nos estudos católicos

1) Penso na existência de uma grande lacuna, em todos os Institutos de Estudos Católicos, no que tange alternativas socioeconômicas para o país.

2) Penso que nos falta um Centro de Estudos Econômicos baseados na Escolástica da Idade Média e principalmente na Escolástica Tardia de Salamanca. Não estou propondo a negação do Sistema Econômico do Distributismo, jamais: quero apenas levantar um contraponto ao Liberalismo destruidor e escravizador profano voltado ao mercado, mostrando o Liberalismo consciente da lapidação do Homem e equilíbrio da sociedade voltada aos preceitos Divinos: que não só existiu, como influenciou as escolas liberais de economia que os Iluministas tomaram para si e desfiguraram de acordo com seus interesses.

3) O Catolicismo Apostólico Romano e seus apologistas têm a função de buscar a salvação de seu próximo; se eles se negarem a influenciar o ambiente onde este próximo está inserido, não fica só mais difícil buscar a salvação de todos como facilita a influência do mal pelo mundo onde jaz o maligno.

Marcelo Dantas

Facebook, 21 de maio de 2018.
https://web.facebook.com/marcelo.dantas.961/posts/1051092711682533

Se o mercado é tomado como se fosse religião, então a economia será escravagista, pois tudo será fundado na sujeição e não no encontro

1) Se a noção de mercado é tomada como se fosse religião, em que tudo está no mercado e nada pode estar fora dele ou contra ele, então o mercado se torna o novo Estado, o novo príncipe. E a economia de mercado se torna sujeição e não encontro.

2) Como todo bom ídolo, o mercado tomado como religião é uma projeção sistemática da alma fundada no amor de si até o desprezo de Deus. E só idólatras vêem a riqueza como um sinal salvação e vêem a sociedade arbitrariamente dividida em eleitos e condenados, a ponto de a usarem de modo a conseguir benefícios.

3.1) Eles não percebem que a própria noção de mercado como sujeição - uma reprodução do estado de natureza hobbesiano - cria uma espécie de solidariedade forçada, mecânica.

3.2.1) Nessa solidariedade mecânica, as coisas tendem a ter um fim em si mesmo, inadmitindo abertura para a verdade, que é Cristo. E como todas as coisas que decorrem do homem são imperfeitas, então essas coisas tendem a se desgastar a ponto de se liqüefazerem ao entrarem em contato com a luz que não se apaga, que é de uma clareza meridiana. E quando essas coisas se tornam líqüidas, ocorre anomia na sociedade, a ponto de haver anarquia. 

3.2.2) A própria contradição dialética das coisas já vai criando os desgastes necessários a essa estrutura mecânica - a alma humana é voltada para a verdade e enxergá-las por meio do exame das contradições presentes nas próprias coisas existentes na realidade já faz com que essa estrutura acabe caindo por si mesma, pois ela é fora da conformidade com o Todo que vem de Deus. Afinal, nada pode subsistir sem Deus.

4) Eis as conseqüências do Estado-mercado fundado na sujeição e não no encontro.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 21 de maio de 2018.

Crítica à afirmação de que devemos usar a sociedade

1) Liberais (libertários-conservantistas, como eu os chamo) falam em "usar a sociedade de modo a conseguir benefícios".

2) Destaco duas coisas: o verbo "usar" e o substantivo "sociedade".

3.1) Sociedade, para poder existir, pressupõe um contrato social.

3.2) Como é um ato inter vivos, ele só obriga quem está vivo e não quem ainda não nasceu. Como não assinei contrato social algum, então não sou obrigado a servir a um Estado tomado como se fosse religião, em que tudo está nele e nada pode estar fora dele ou contra ele.

3.3.1) Como não sou obrigado, por força de contrato, servir a um Estado tomado como se fosse religião, então eu não autorizei ninguém a usar minha força de trabalho de modo a colher benefícios com isso.

3.3.2) Para conseguir isso, a pessoa tem que ser íntegra e me convencer a fazer parte de um projeto onde tanto ele quanto eu colhamos benefícios mútuos. E isto só posso conseguir por meio de uma pessoa que eu conheça e que ame e rejeite as mesmas coisas tendo por Cristo fundamento.

3.3.3) Por isso, é ilusão pensar que conseguirei isso com desconhecidos que me surgiram à tona da noite pro dia reunidos numa mesa de modo a pensar a sociedade do amanhã, o que não passa de ilusão.

4.1) Além disso, o uso pressupõe o descarte.

4.2) Se uso a sociedade para colher benefícios, então não sou obrigado a ser leal a ninguém, o que faz com que a liberdade tenha fins vazios. Isso faz com que a moral seja relativizada, a ponto de o princípio da não-triação não ser observado, pois as pessoas estão conservando o que é conveniente e dissociado da verdade, que é Jesus Cristo.

4.3.1) Se o homem foi reduzido a homo oeconomicus e a um homo faber, então ele se reduziu à coisa, a um nada, a um escravo, a ponto de não ter direito à vida.

4.3.2) Se o principal não tem direito à vida, muito menos o acessório, sua mulher e seus filhos. E mais grave ainda se os filhos nascem com deficiência - para uma sociedade assim, os imprestáveis não têm direito à vida. Eis a eugenia.

5) Se tudo o que é sólido se desmancha no ar, então o caminho da transição entre o sólido e o gasoso está no líqüido. Se o líqüido assume a forma do recipiente que lhe é hospedeiro, então ele está conservando algo conveniente e dissociado da verdade, pois tudo se tornou utilitarismo. Não é à toa que o libertário-conservantista é o navio quebra-gelo do comunismo.

6.1) Seria mais sensato falar em comunidade e não sociedade.

6.2) A comunidade pressupõe comunhão, vida em comum. E a amizade é base da sociedade política. E para isso precisamos amar e rejeitar as mesmas coisas tendo por Cristo fundamento.

6.3) Cada membro da comunidade tem uma vocação - e essa vocação é servida aos demais de modo a gerar uma interdependência, o verdadeiro fundamento da solidariedade. É pela mútua assistência e mútua santificação sistemática que as pessoas tomarão o país como um lar em Cristo, a ponto de se prepararem rumo à pátria definitiva, a qual se dá no Céu.

6.4) Se há uma cultura de mútua assistência e mútua santificação entre as pessoas da comunidade, então o trabalho é o meio de santificar todas as coisas, o que confirma aquilo que São Josemaría Escrivá tanto sustenta. Assim a liberdade, pautada na verdade, terá sua justa utilidade, pois edificará algo concreto e duradouro: o bem comum, enquanto legado para as futuras gerações. E só é possível falar em tradição quando há um bem comum, algo que se incorpora à realidade concreta de tal maneira que faz as pessoas não esquecerem aquilo que foi esquecido. Afinal, a própria presença da coisa lembra às pessoas da necessidade de sua preservação, seu não esquecimento.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 21 de maio de 2018.

Carlos Cipriano de Aquino:

1) Liberais não precisam de religião porque eles já possuem a deles: "o mercado". Tudo o que possa atrapalhar o funcionamento deste os asseclas do liberalismo atacam ferozmente e de todas as formas possíveis, assim como tudo o que o favoreça é defendido como dogma.

2) No fundo, a única coisa que eles querem é que nada atrapalhe o dinamismo peculiar do mercado.

José Octavio Dettmann: No fundo, o mercado para eles é sujeição - no final, pervertem a idéia de economia mercado fundada na conformidade com o Todo que vem de Deus, que se trata de encontro, de descoberta sistemática dos outros, a ponto de conhecer suas necessidades e assim supri-las.