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sábado, 8 de novembro de 2014

Toda encíclica é um enunciado (uma declaração)


1) Quando um papa elabora uma encíclica, ele só enuncia, tornando explícito algo que estava implícito desde a eternidade, justamente por decorrer do fato de que Cristo é o caminho, é a verdade e é a vida e que ninguém vem ao Pai senão por ele.

2) Quando ele explicita algo que pela lei natural é conhecido e implícito, ele liga esse conhecimento que já se conhecia do céu para a terra, por conta do poder das chaves.

3) O poder das chaves não é o poder de uma varinha de condão: o poder das chaves é declaratório. A verdade, que é Cristo, é a constituição. Como os homens são marcados pelo pecado original, o máximo que eles podem fazer é dialogar com Deus e com Cristo, a partir da intercessão de Nossa Senhora, e buscar um meio de modo a que se possa enunciar a verdade de Cristo de tal forma que ligue a terra ao céu, de modo claro, explícito, feito de uma forma que não pudesse ser esquecida, ao longo das gerações.

4) Enfim, dizer que o distributivismo não existia antes da rerum novarum e da quadragesimo anno é dizer que a verdade não existia. A verdade é que ela existia, só que de maneira implícita - o que se fez foi só dar pleno cumprimento à lei mosaica, coisa que se dá na carne.

A verdade sobre as bolsas de estudo


1) Se as bolsas fossem dadas pelo fato de você ser um bom aluno, esforçado, que busca realmente o saber, a mera concessão representaria magnificência e ela ficaria vinculada à pessoa que mostrou ser conforme o todo que vem de Deus ao longo de seus estudos, uma vez que ela soube, evidentemente, cultivar a alma de tal modo a que fosse possível ver nela as maravilhas de Deus e o que de bom Ele poderia fazer por todos nós, em meio a uma vida cheia de provações e sacrifícios

1.1) A concessão seria pessoal, exclusiva e fundada num ato de caridade - pois tornar a alma fecunda de modo a dizer sim a Deus é um feito notável e por si mesmo meritório, uma exceção rara num mundo marcado pelo pecado original. 

1.2) Se o exemplo do beneficiado inspirasse outros a seguirem este caminho de notável sabedoria e retidão, mais bolsas seriam dadas - e isso implicaria distributivismo. É nesse contexto que nasceu a universidade na Idade Média.

2) Se as bolsas forem concedidas como um prêmio por desempenho em prova, isso geraria competição entre os alunos. 

2.1) Na competição, um está afim de prejudicar o outro ou mesmo manipular a estrutura do concurso de modo a trapacear. 

2.2) Na cultura de competição, as desiguldades naturais, as diferentes capacidades humanas, estão sendo desenvolvidas de modo promover conflito de interesses qualificados por uma pretensão resistida ou de tal modo a que os homens sejam predadores que caçam os seus próprios semelhantes para poder sobreviver na terra, o que mata a fé, a esperança e a caridade. 

2.3) A competição é, pois, uma luta de morte fundada em sabedoria humana dissociada da divina, nascida numa cultura em que todos têm a sua verdade ou no fato de que não há verdade nenhuma. 

3) Por isso que não considero o critério meritocrático o mais honesto para a concessão de bolsas. 

3.1) Além de promover a cultura da impessoalidade e do resultado pragmático, os beneficiários geralmente não fazem bom uso do benefício, posto que isso só faz alimentar o ego de quem ganhou o prêmio. E egos inflados só dão causa para o mal sistemático. 

3.2) A meritocracia liberal dá causa ao esquerdismo, pois a concessão fica centralizada nas mãos de quem detém autoridade ou poder nas instituições educacionais. 

3.3) Enfim, um tipo microcosmos do Estado é criado, por conta da meritocracia liberal.

Bolsas de Estudo nunca são dadas por mérito


1) Bolsa de Estudo nunca se dá por mérito (pelo menos, essa é a minha experiência, nestes meus quase 34 anos de vivência de brasileiro nato)

2) Ou você é amiguinho do concedente ou você é amante do mesmo, se for mulher. 

3) Se for por mérito, você vai ter que se sujeitar à sabedoria humana dissociada da divina e tirar um notão numa prova dificílima, tal como acontece aqui. Mas isso só contempla uns certos elementos que possuem má consciência no coração e que fazem da bíblia crença de livro. Depois da experiência, vão peidar sardinha e arrotar bacalhau. Isso se a prova não for fraudada.

4) Nunca consegui bolsa - e vejo que isso não me fez falta. Consegui as coisas com muito esforço. Até a mais simples das coisas foi conseguida com muita dificuldade.

5) Se as instituições parassem de dar bolsa, acho que as coisas caminhariam com mais justiça, pois isso só dá margem para a corrupção. Pelo que venho observando, as pessoas vendem suas almas ou vendem a mãe por uma bolsa ou chance pra estudar no exterior. E isso não é educação - pois educação pressupõe cultivo de almas íntegras e conforme o todo que vem de Deus.

Uma ação repetidamente freqüente é sistemática

1) Quando uma ação é repetidamente freqüente, nós podemos falar em ação sistemática. A ação sistemática não se esgota por conta da quantidade de vezes que você pratica o mesmo ato repetidas vezes - a ação sistemática se renova, se atualiza e se torna mais forte à medida que esse ato é praticado.

2) Se dar a cada a um o que é seu e conforme o bom direito implica distribuir, um multiplicar dividindo, então o distributivismo é um sistema de ação voltado para o bem comum fundado nos ensinamentos de Cristo. Se a Igreja nos oferece Cristo, então tudo o que decorrer dele, sejam ações simples ou sistemáticas, é acessório que segue a sorte do principal, que é Cristo.

3) Se a doutrina social da Igreja é um conjunto de princípios de tal modo a que se edifique uma ordem pública fundada na conformidade com o todo que se dá em Deus, de modo a se eliminar a cultura de lei econômica do mais forte, então o distributivismo decorre desses ensinamentos.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

A ortodoxia de Deus não é a dos homens


1) A ortodoxia verdadeira é una, pois Deus é um e a Igreja, como mãe, é uma e causa de toda ordem una - como não há outro Deus, não há outra ordem decorrente desse outro Deus. Por isso que não se dá margem à heresias, pois não há falsos deuses nem falsos demônios.

2) A ortodoxia fundada na sabedoria humana, dissociada da divina, cria a sua heterodoxia e dá a ela o mesmo direito ao pedestal que se dá à ortodoxia. Ela se dá em pares de dois - por isso, binária. É o cru que se transforma em cozido, naquilo que alimenta e seduz a imaginação das pessoas. É o mundo das ilusões.

3) Quando se dá voz ao que é falso, de modo a que ele fale sua própria verdade, ao final do processo não haverá mais verdade, pois o mero fato de se dialogar com o falso já pressupõe aceitar o falso como sendo verdadeiro. Isso gera confusão, relativismo moral.

A modernidade perverte o conceito de ortodoxia

1) Estar à direita do pai + ver Deus como o centro de todas as coisas = ortodoxia

2) Edificar coisas ou uma ordem fora da conformidade com o todo de Deus = heresia

3) O lado perverso da modernidade é querer edificar uma ortodoxia econômica e cultural fundada em sabedoria humana dissociada da divina. 

4) A toda ortodoxia fundada nessa natureza surge uma heterodoxia que deseja o diálogo de tal modo a que tudo seja subjugado por essa heterodoxia e que tudo nela se perverta, de modo a que não se tenha lembrança alguma da causa que nos leva à verdadeira liberdade, que se dá em Cristo. 

5) A democracia, que é indiferente à verdade, tolera essa falsa ortodoxia, o liberalismo econômico, e sua irmã gêmea, a heterodoxia marxista. Uma se alimenta da outra até produzir um vazio de verdade, alegando que todos têm a sua verdade ou que não existe verdade nenhuma.

Esquerda e direita na modernidade, na pós-modernidade e na eternidade

1) Na modernidade: esquerda e direita se fundam a partir de interesses egoísticos antagônicos, a partir de uma ordem que elimina a influência da Igreja sobre o Estado. À direita, os conservantistas, que querem livre mercado; os radicais, os esquerdistas, querem intervenção total.

2) Na pós-modernidade: a esquerda é a causa da libertação, pois é a herdeira dos valores da Revolução Francesa, da igualdade, da liberdade e da fraternidade. Quem ousar ser contra isso será rotulado de "direita".

3) Olhando por esse ponto de vista, esquerda e direita, neste aspecto, são sabedoria humana, dissociada da divina.

4) Na eternidade, a verdadeira direita é aquela que decorre de quem está sentado à direita do pai. É por lembrarmos de quem está à direita do pai que nós temos o direito de sermos tratados como filhos de Deus, por sermos a primazia da Criação, pois quem está sentado à direita do Pai deu pleno cumprimento à lei de Deus, que se dá na carne e que constitui todas as coisas, de modo a ficarem conforme o todo de sua vontade. É por conservarmos a dor de quem morreu por todos nós, que está à direita do Pai, que fundamos uma ordem onde Deus é o centro sobre o qual se gravitam todas as coisas.

5) Então restauremos o seu verdadeiro significado, coisa que nos leva à conformidade com o todo que vem de Deus, pois as palavras não devem ser servidas com fins vazios.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 5 de novembro de 2014 (data da postagem original).