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quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Às vezes, estar muito à frente de seu tempo pode levar ao atraso e à ineficiência

1) Depois que comecei a passar para as medidas atuais as medidas que eram usadas por Portugal no tempo do povoamento do Brasil, eu fiquei impressionado com o tamanho da sesmaria. É uma coisa monstruosa.

2.1) Mesmo que Portugal investisse e muito em técnicas agrícolas, mesmo que Portugal investisse em progressos técnicos de navegação, a extensão de terras de uma sesmaria era tão grande que ninguém dava conta de torná-la produtiva, a menos que constituíssem famílias muito grandes e que a terra fosse distribuída em unidades menores de modo que o maior número de pessoas possível tocasse toda essa extensão com máxima produtividade, por meio do distributivismo.

2.2) Até porque Portugal é um país com pouca gente. Mesmo que Portugal estivesse bem à frente de seu tempo, a ineficiência era tremenda, por conta das circunstâncias da época.

3) Só agora, mais recentemente, é que áreas de 40 mil a 50 mil hectares conseguem ser produtivas, graças à mecanização dos campos, pois os tratores têm GPS. É graças à essa tecnologia que uma área do tamanho de uma sesmaria pode se tornar uma área produtiva, uma vez que agora é possível concentrar os poderes de usar, gozar e dispor sem que a eficiência seja perdida.

4.1) Olhando por esse ângulo, a lei das sesmarias em Portugal estava muito, mas muito à frente de seu tempo.

4.2) Se o Brasil fosse povoado nesta circunstância atual, aplicar a lei portuguesa seria muito mais fácil, pois os magistrados levariam um dia de avião para chegar ao Brasil e poderiam se comunicar com a Coroa, relatando tudo o que acontecesse por aqui em tempo real. E isso certamente fez muita falta naquela época.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 12 de setembro de 2018 (data da postagem original).

Notas sobre a cultura de corrupção no Brasil

Se 1 sesmaria fosse dividida em duas partes iguais, admitindo que ela tivesse 6 léguas de frente x 6 léguas de fundo, então a medida dessa nova fazenda seria de 3 léguas de frente x 3 léguas de fundo => 9 léguas quadradas => aproximadamente 400 km² de área.

1 km² são 100 hectares => 400 x 100 => 40 mil hectares de terra. Ainda assim, um latifúndio.

1) Para um comunista, uma área acima de 10 mil hectares já é um latifúndio.

2) O problema é que estão muito fora da realidade. Os tais latifúndios atuais são terras médias, perto do que é uma sesmaria, ainda que dividida em duas partes iguais.

3) Se os 40 mil hectares fossem divididos a ponto de formar um minifúndio, então um cidadão comum teria espaço suficiente para produzir alimentos para satisfazer, além das necessidades de sua família, as necessidades do mundo inteiro.

4.1.1) O problema dos latifúndios está na concentração do poder de gozar, usar e dispor em poucas mãos.

4.1.2) Este é o verdadeiro problema - e neste ponto, os distributivistas estão corretos, pois muito poder de usar, gozar e dispor nas mãos de um só homem gera arbítrio, a ponto de servir liberdade com fins vazios, o que leva tudo o que é mais sagrado a ser sistematicamente relativizado. Além disso, há a cultura da riqueza que é vista como um sinal de salvação, o que agrava ainda mais as coisas.

4.2.1) A concentração desses poderes em poucas mãos gera gera ineficiência administrativa, pois fica muito difícil administrar as coisas, de modo a fazer com que a terra produza com o maior rendimento possível.

4.2.2) Além disso, a concentração dos poderes de usar, gozar e dispor em poucas mãos leva ao abuso de direito, o que leva a um conflito sistemático de interesses qualificado pela pretensão resistida. E o Estado será forçado a ter que dizer o direito sistematicamente. Como cada juiz é uma sentença, então a tendência é haver injustiça sistemática.

5.1) Quando Portugal implementou o sistema de sesmarias no Brasil, sem querer acabou criando uma cultura de corrupção por aqui.

5.2) Além do muito poder em poucas mãos, o fato de o Brasil estar muito distante de Portugal fez com que a Ordenação Afonsina fosse pouco observada. Como a justiça não era aplicada, isso gerava uma cultura de mandonismo local, coisa que leva à má consciência sistemática, a ponto de estar arraigada entre nós faz muitas gerações. Isso sem mencionar que Portugal tinha população pequena e era muito difícil encontrar mão-de-obra qualificada a ponto de dizer o direito com justiça. Seria preciso um batalhão de juízes e de servidores públicos de modo a poder fazer valer a lei portuguesa no Brasil.

5.3.1) Nos tempos atuais, com a internet, a gente é capaz de saber das coisas em tempo real - mas naquela época não havia isso.

5.3.2) O recurso até o desembargo do paço tinha que cruzar os mares, cuja travessia durava meses. A justiça era demorada, o que favorecia a impunidade. Enfim, o Estado era ineficiente em razão da distância do Brasil em relação a Portugal, bem como em relação ao fato de haver muito poder de usar, gozar e dispor que era dado ao capitão donatário. E muito poder em poucas mãos leva ao arbítrio.

6.1) Portugal aplicou no Brasil o mesmo sistema que levou a povoar com sucesso as terras ao sul de Portugal.

6.2) Acreditavam que tal iniciativa iria produzir os mesmos resultados, mas não deu certo, em razão da distância em relação à pátria-mãe, o que demanda um tempo muito grande para ser percorrida e certamente isso afeta a qualidade do trabalho jurisdicional.

6.3) Não é à toa que Portugal teve de implementar um sistema de Governo Geral, de modo que a justiça fosse melhor aplicada aqui.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 12 de setembro de 2018 (data da postagem original).

Aprendendo por números 3 - extensão de uma sesmaria

1 Légua = 6,660 metros

1 sesmaria = 3 léguas de frente x 6 léguas de fundo => 18 léguas

18 x 6.660 => 119.880 metros => 120 km, aproximadamente

1) Por isso que o Brasil é grande. A sesmaria é um latifúndio tão grande, mas tão grande, que ninguém dava conta de produzir numa área tão grande, uma vez que Portugal é um país pequeno e "carente de braços".

2) Como os índios eram nômades, então certamente as áreas ocupadas não afetavam a sobrevivência dos índios, uma vez que o nomadismo cobre áreas maiores do que isso. Além disso, era muito comum os índios venderem as terras a quem quisesse ocupá-las ou dá-las como presente a quem fosse recém-chegado, o que certamente favorecia e muito a missão de servir a Cristo em terras distantes.

3.1) Os esquerdistas condenam o latifúndio, mas os latifúndios de hoje em dia são terras médias, perto da sesmaria.

3.2) Isto é prova cabal de que eles estão muito fora da realidade.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 12 de setembro de 2018.

Aprendendo por números 1 - é melhor já ir se acostumando

45 (PSDB) - 15 (PMDB) = 30 (NOVO)

30 (NOVO) - 13 PT = 17 PSL

17 é o único número primo entre e 13 e 19. É melhor Jair se acostumando - do contrário, vá pentear macaco.

Aprendendo por números 2

3 x 2 x Santa Maria, Mãe de Deus = Seis Marias

seis marias - i = sesmarias

1) Servir a Cristo em terras distantes implica lavrar as sesmarias.

2) É colonizando, no sentido de lavrar o solo sistematicamente, que você começa povoando o país de modo que o país seja tomado como um lar em Cristo, já que é da terra que extraímos todas as riquezas.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 12 de setembro de 2018.

Como fica o ensinamento de Platão numa cosmovisão ouriqueana?

1) Dizia Platão que verdade conhecida é verdade obedecida. Ele parte do pressuposto de que a geração mais velha já explorou o seu mapa circunstancial, experimentou de tudo e ficou com o que é conveniente e sensato, a ponto de conservar a dor de Cristo.

2) Se para a geração X nós temos um mapa descoberto, para a geração Y nós temos um mapa circunstancial encoberto. Para se ampliar o que se conhece, devemos explorar esse mapa também, ficar com o que é conveniente e sensato até conservarmos a dor de Cristo. Se juntarmos os mapas X e Y, teremos um mapa de dois mundos - e a história é narrada por conta da transformação que se dá por força das circunstâncias de cada geração, pois o que está descoberto revela novos caminhos encobertos.

3) A mesma coisa ocorrerá para a geração Z. Seu mapa circunstancial está encoberto - como Cristo é o alpha e o ômega de todas as coisas, os que vivem em conformidade com o Todo que vem de Deus explorarão todas as coisas de modo a ficar com o que é conveniente e sensato, pois tudo isso aponta para o sacrifício definitivo de Cristo na Santa Cruz.

4.1) Um estudo sensato da História abarca o mundo conhecido por três gerações, já que X,Y e Z correspondem a uma trindade, a três dimensões, a três horizontes de consciência da eternidade. Algumas coisas permanecerão as mesmas, enquanto outras coisas mudarão, pois as circunstâncias de X podem não ser as mesmas para Y e Z.

4.2) Uma vida lastreada pelas circunstâncias não é uma vida fundada no amor de si até o desprezo de Deus, o que caracteriza subjetivismo. Na verdade, ela pode servir como um caminho de modo a melhor responder a Deus e a servir ao próximo naquilo que você tem de melhor, em termos de vocação.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 12 de setembro de 2018.

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Respondendo a uma pergunta de uma leitora

Gabi Marshall: José, qual é teu campo de estudos?

José Octavio Dettmann:

1) Meu campo de estudos é bem abrangente. Estudo Direito, História, Filosofia, Política, Economia e até Relações Internacionais. Estudo isso para responder a esta questão: de que forma devo tomar meu país como um lar em Cristo, sem incorrer no erro que a maioria comete, ao tomar o país como se fosse religião, em que tudo está no Estado e nada pode estar fora dele ou contra ele?

2.1) Para responder a essa pergunta, eu geralmente dedico boa parte do meu tempo meditando sobre o problema, após leituras dos posts que coleto no face ao longo do caminho. Essas reflexões, essas meditações podem durar uma tarde inteira. Nos domingos, uma hora antes da missa, eu faço uma meditação com base no que li e escrevi. Sempre contemplo a cruz, de modo a encontrar a resposta, uma vez que esta investigação decorre de Cristo, uma vez que tem natureza cristocêntrica.

2.2) Além dos posts e das meditações, eu leio uma ou outra coisa dos livros que tenho na minha biblioteca e aí vou juntando as peças. Mas não me prendo a um livro só. Geralmente coleto pedaços de três ou quatro livros e faço a ponte entre eles, dentro daquilo que consigo compreender, é claro.

3.1) Essa pergunta só me é possível porque conheço a verdade: o Brasil foi povoado dentro da missão que os portugueses receberam de Cristo em Ourique, que é servir a Ele em terras distantes de modo a expandir a fé.

3.2.1) Isso é a prova cabal de que o Brasil não nasceu em 1500, mas em 25 de julho de 1139. Como Brasil é criação portuguesa, então devo estudar Portugal antes. Por essa razão, eu rejeito qualquer história do Brasil fundada na alegação de que o Brasil foi colônia, o que levou à secessão que se deu no dia 7 de setembro de 1822.

3.2.2) Como a secessão se deu numa mentira, então é falsa toda a cultura decorrente disso por ser vazia e nula, pois da mentira só se edifica tirania e relativismo moral, edificando liberdade com fins vazios. E a liberdade com fins vazios faz o país ser tomado como se fosse religião, em que tudo está no Estado e nada pode estar fora dele ou contra ele.

3.3) Desde que percebi a diferença entre nacionidade e nacionalidade, eu tratei de meditar melhor sobre essas coisas.

4.1) Além dessas essas investigações no campo da nacionidade, também dediquei boa parte do meu tempo sobre a diferença entre conservadorismo e conservantismo. Enfim, essas são as minhas áreas de interesse, pois estes são os eixos centrais da minha pesquisa.

4.2) Obviamente, essas investigações são multidisciplinares e transdisciplinares, uma vez que estou transgredindo as fronteiras daquilo que foi conservado conveniente e dissociado da verdade, já que estou aprendendo a outra ponta que nos foi sonegada, que é a História de Portugal. Por isso, estou revendo todo o meu entendimento de História do Brasil, uma vez que as matérias que estudo estão interconectadas. Por isso que tento analisar as formas da forma mais abrangente possível.

5.1) Muito do meu trabalho foi influenciado pelo professor Loryel Rocha e uma outra parte foi influenciada pelo Olavo. E uma outra parte, no tocante à economia, fui influenciado pelo Angueth.

5.2) Como a academia é cheia de comunistas, eu comecei a desenvolver meu pensamento online, acompanhando o pensamento de vocês, na internet. Daí que você acaba vendo eu falar de tanta coisa, de forma tão abrangente.

6.1) Mas o objeto do meu estudo é este mesmo: nacionidade. Recomendo ler o livro Um Mapa da Questão Nacional, sobretudo o artigo "Para onde vão as nações e o nacionalismo?", de Katherine Verdery. Ela faz remissão ao trabalho de John Borneman, constante no livro Belonging in the Two Berlins.

6.2) A distinção entre nacionidade e nacionalidade surgiu num debate que Borneman teve com Gellner, que considerava que a história de um país se dava por eras de nacionalismo. Como o país é tomado como se fosse religião, então a constituição era reescrita de modo a reajustar a visão de que é preciso separar amigo do inimigo, tal como há em Carl Schmitt.

6.3) Como a investigação de Borneman se dá numa Berlim dividida pelo muro de Berlim, então eu percebi uma semelhança com o Brasil atual. Em primeiro lugar, há essa coisa criada pela secessão em 1822 - e há uma outra interna, em que o pessoal do Sul enxerga o pessoal do Nordeste como uma imagem distorcida num mesmo espelho.

6.4) Por isso que não tenho pressa em lançar um livro logo. O que quero é compreender algo que me chamou muito a atenção. E isso é a busca de uma vida inteira. Trata-se de um campo que não se esgota. É um assunto tão vasto, tão complexo que tenho dificuldade para falar sobre isso falando. Só consigo fazê-lo por escrito.

6.5) Talvez eu esteja sendo pioneiro nisto. Mas faço o que faço porque isto realmente me interessou.

José Octavio Dettmann: Agora que respondi à sua pergunta, posso saber a razão pela qual você me pergunta isso?

Gabi Marshall: A razão pela qual faço isso é porque acho interessante suas postagens. Gostaria de saber mais sobre a sua linha de raciocínio.

José Octavio Dettmann:

1) Como disse a base de toda a minha linha de raciocínio está naquele livro do Borneman, bem como nos vídeos do Loryel e no que o Olavo fala sobre mentalidade revolucionária, além das leituras que fiz no livro A Pátria Descoberta, de Gilberto de Mello Kujawski.

2.1) Estudo tudo isso para responder a esta pergunta: de que forma devo tomar um país como um lar em Cristo, sem incorrer no erro que muitos cometem, que é tomar o país como se fosse uma segunda religião, em que tudo está no Estado e nada pode estar fora dele ou contra ele?

2.2) Faço esta pergunta porque tomo o Brasil como um lar por força daquilo que houve em Ourique. Por essa razão, rejeito tudo aquilo que decorre do dia 7 de setembro, pois isso nos levou a uma secessão fundada na falsa alegação de que o Brasil foi colônia de Portugal, uma vez que isso edificou uma liberdade com fins vazios, coisa que só colaborou para construir um Estado totalitário. O Loryel tem vídeos sobre isso, que comprovam o que falo.

2.3) Como estou revendo meu pensamento de História do Brasil, então estou ampliando os horizontes, ao rejeitar a história falsa, inventada, feita à revelia da documentação portuguesa. Afinal, não dá pra compreender o que falo, tendo por base aquilo que é tradicionalmente ensinado, pois o que é tradicionalmente ensinado rejeita o Cristo de Ourique.

3) Enfim, essa é a base do meu raciocínio. Ela é pró-Reino Unido e pró-cristianismo. Por isso, eu recomendo que veja os vídeos do Loryel e essa base bibliográfica que te indiquei. Isso te dá uma idéia do que estou fazendo.

4) Comecei a tomar contato com essa idéia ainda na UFF, quando assistia aulas de História como ouvinte, no intervalo das minhas aulas no Direito. Essas aulas a que assisti como ouvinte eram voltadas para o mestrado. Lá tomei contato com o livro Um Mapa da Questão Nacional e foi através deste livro que tomei conhecimento desta palavra: nacionidade. E foi aí que comecei a estudar esse assunto a fundo.

5) Só comecei a escrever pra valer a partir de 2014, depois que terminei os estudos. De lá pra cá, foram mais de 4 mil reflexões em meu blog. Só não publico um livro agora porque o país está num irracionalismo tremendo, pois se ponho algo diferente daquilo que está estabelecido, então sou crucificado.

6.1) Esta é a linha que sigo, já que eu gostaria que o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves voltasse a existir, agora que sei a verdade. Por isso que escrevo. Eu o faço numa linha de proposição, pois estou tentando semear consciência nessa direção. Só não me chame de "colonialista" por causa disso, ok (risos)?

6.2) Afinal, se Portugal foi aos mares por causa de Cristo, então por que Portugal nos trataria de forma inferior, uma vez que os melhores da gente portuguesa foram casados com as filhas dos chefes das tribos indígenas e africanas? Se o povo é tomado como parte da família, então o que temos são iguais, não inferiores.

6.3.1) O regime político colonial só faz sentido numa cosmovisão em que há eleitos e condenados, tal como há no protestantismo, como é o caso das 13 colônias da América do Norte.

6.3.2) Isso é a prova cabal de que a Inglaterra foi aos mares em busca de si mesma, uma vez que fez da riqueza sinal de salvação. E para dar pleno cumprimento a esta política, a este caminho desonroso, ela foi capaz de recorrer até mesmo à pirataria.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 11 de setembro de 2018.