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domingo, 10 de dezembro de 2017

Do perigo que é tomar a polis como um fim em si mesmo

1) O professor Carlos Nougué em uma de suas aulas afirmou que, para os antigos gregos, o fim da polis estava nela mesma. Foi neste ponto que Santo Tomás de Aquino divergiu de Aristóteles.

2.1) O professor Olavo de Carvalho alertou que é preciso saber em quais pontos Maquiavel não enxergava a realidade de jeito nenhum.

2.2.1) O maior exemplo disso está no fato de que Maquiavel era estudioso do mundo antigo.

2.2.2) Como os gregos viam o fim da polis nela mesma, então muitos dos ensinamentos práticos d'O Príncipe tendiam a fazer com que o fim do Estado encontrasse a justificação do poder em si mesmo, a ponto de se tornar uma espécie de religião, em que tudo está no Estado e nada pode estar fora dele ou contra ele.

3.1) Essa incapacidade de Maquiavel ver esta realidade também se estendeu à doutrina de Gramsci, a tal ponto que o comunismo é uma religião política e uma soteriologia, onde o fim da revolução se encontra nele mesmo, na destruição pela destruição, movida no mais puro ódio ou irracionalismo.

3.2) E essa fé cega tende a ser um câncer, que um dia entrará em metástase.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 10 de dezembro de 2017.

Aforismo sobre política

Se política é a arte de debater os problemas da polis de modo que a cidade dos homens seja um espelho da cidade de Deus da melhor maneira possível, então não é nem um pouco conveniente debater esses problemas com quem confunde tomar o país como um lar em Cristo com tomar o país como se fosse religião, em que tudo está no Estado e nada pode estar fora dele ou contra ele.
José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 10 de dezembro de 2017.

Próximos livros a estudar

Após quase 3800 artigos escritos, sinto que vou precisar estudar muito mais. Mas não tem problema - tenho todo o tempo do mundo para isso.

Próximos livros a estudar:

1) O que é uma nação?, de Ernest Renan.

2) Comunidades Imaginadas, de Benedict Anderson.

3) The Frontier in the American History, de Frederick Jackson Turner.

4) O sonho de Champlain, de David Hackett Fischer, escrito em comemoração aos 400 anos de Quebec.

Enquanto estudo mais um pouco, vocês lêem o que produzi, seja no blog, seja na sistematização que vou fazer com os meus livros.

Tudo o que mais quero é ser pago para estudar e fazer algo de bom pelo meu país. Jamais encherei o saco de ninguém.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 10 de dezembro de 2017.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

A família nuclear nasce da insensatez de quem faz "do minha casa, minhas regras" seu estilo de vida

1) Hoje, 7 de dezembro de 2018, compreendi o real significado do "minha casa, minhas regras".

2) Se eu quiser fazer certos atos que chegam a contrariar às regras mais insensatas da casa, fundadas no fato de se conservar o que é conveniente e dissociado da verdade, então eu não vejo outro caminho que não ter meu próprio teto.

3) O pior é que as regras mais insensatas da casa são aplicadas ao corpo, no "my body, my rules", pois o corpo é visto impropriamente como uma propriedade, quando deveria ser a morada da alma. A casa, enquanto propriedade, suporta o jus abutendi - o corpo não, pois não pode ser destruído.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 7 de dezembro de 2017 (data da postagem original).

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Parem de chamar o apátrida de "brasileiro", pois isso é legitimar o que é ilegítimo

1) Como o Olavo fala, as palavras expressam uma verdade, uma ontologia. Elas têm um significado, uma razão de ser.

2) Por essa razão, eu peço a quem me lê que pare de chamar o apátrida nascido no Brasil biologicamente falando - esse que toma o país como se fosse religião e que vive em conformidade com o Todo que vem das mentiras fabricadas por D. Pedro I e José Bonifácio, que levam ao nada - de "brasileiro".

3) Brasileiro, como disse, faz da sua primeira profissão, a de extrair pau-brasil, uma forma de servir a Cristo em terras distantes. No dizer de São Josemaria Escrivá, ele faz da extração de pau-brasil um meio de santificação dessa terra, uma vez que os melhores violinos de música clássica são feitos dessa árvore. Além disso, o vermelho da roupa dos cardeais era feito dessa madeira, uma vez que representava o sangue de Cristo derramado na cruz pelo perdão dos nossos pecados e o sangue dos que morreram para que nossa fé existisse entre nós. Por isso, mesmo trata-se de nacionidade.

4.1) Chamar o nascido nesta terra de "brasiliano" é dar ao apátrida um direito que ele não tem: o de viver a vida fora daquilo que fundou esta terra, fora da conformidade com o Todo que vem de Deus, e permitir que ele edifique um projeto de civilização voltado para o nada, uma vez que isto é legitimar o ato nulo chamado de independência do Brasil; é do "brasiliano" que vem esse negócio tenebroso chamado Brasília, que é o pináculo da cultura de se tomar o Brasil como se fosse religião, em que tudo está no Estado e nada pode estar fora dele ou contra ele - uma nacionalidade, cujo vínculo é voltado para o não-transcendente, para o nada.

4.2) Como já me foi dito pela amiga Sylvia Maria Sallet, sou livre para fazer o bem - e fazer o bem implicar servir a Cristo em terras distantes. É por conta disso que sei de onde eu vim e sei para onde vou - e atualmente muito pouca gente conserva isso por ver nestas coisas que falo a dor de Cristo, o sacrifício derradeiro na Cruz, pelo perdão de nosso pecados.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 6 de dezembro de 2017.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Notas sobre mecenato e nacionidade

1) Se tivesse dinheiro, eu faria muito mecenato. Eu patrocinaria o restauro de muitas igrejas e incentivaria a preservação e a expansão da calçada portuguesa, que é uma verdadeira obra de arte.

2) Não faria isso com objetivo de pagar menos imposto. Faço isso porque tomo meu país como um lar em Cristo e acredito que a riqueza deve ser usada com fim salvífico, de modo a promover a conformidade com o Todo que vem de Deus.

3) Patrocinaria bons escritores, bons músicos, bons pintores. Patrocinaria o teatro, mas não artistas de viés esquerdista.

4) Enfim, quem patrocina porcaria tem mais é que terminar seus dias na falência. Foi assim com a Petrobrás, que foi saqueada pela gangue do PT e também gastou rios de dinheiro em maracutaia da Lei Rouanet.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 5 de novembro de 2017.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Notas sobre a diferença entre tributo e imposto

1.1) Quando os sujeitos à proteção e autoridade do vassalo de Cristo conseguem ver nele a figura do Crucificado de Ourique, eles tenderão a pagar o tributo espontaneamente, quer na força da moeda, quer na força da prestação de serviço in natura, quer cedendo coisas em benefício da administração da Coroa, para o bem da missão salvífica que nos foi confiada em Ourique.

1.2) Afinal, o tributo se deve ao Rei dos Reis, que escolheu Portugal para que servisse a Ele em terras distantes; Ele escolheu um vassalo dentre os descendentes de D. Afonso Henriques para cuidar desse povo, com o intuito de edificar uma república com este propósito - uma república em que o primeiro cidadão da mesma é o vassalo de Cristo, o rei de Portugal. Por isso, a monarquia portuguesa sempre será uma monarquia republicana.

1.3.1) Como na Roma antiga, Portugal é uma república porque todos os homens não estão sujeitos ao capricho de homem nenhum, tomado como um Deus vivo, tal como o Faraó do Antigo Egito. Esse Faraó foi destronado de modo que o verdadeiro Deus, o que livrou Israel da escravidão, fosse adorado e glorificado.

1.3.2) Esses cidadãos da pátria do Céu estão sujeitos à santa escravidão de Deus. Como o Rei dos Reis instituiu que devemos nos amar uns aos outros, então o povo deve ser tomado como parte da família de batizados de Cristo, o que constitui a Cristandade. Dentre os batizados, os portugueses devem ser tomados como família especial de batizados que foi eleita pelo próprio Cristo para executar um propósito salvífico, a ponto de tomarem o lugar que tradicionalmente ocupam, Portugal, como seu lar n'Ele, por Ele e para Ele. E esse propósito salvífico é o Império que Cristo quis construir para Si.

1.3.3) A passagem da República para a monarquia leva um elemento de transição: o principado. O melhor cidadão da República Cristã de Portugal é escolhido vassalo de Cristo de modo que este sirva a Cristo em terras distantes - e esse principado se torna hereditário, pois o filho aprende o exemplo do pai e o processo se repete ao longo das gerações. Esse vassalo faz um papel sacerdotal, a ponto de ser pai de muitos de seu povo, a  ponto de organizar a política e promover a caridade, de modo que uns ajudem aos outros, a ponto de formarem uma nacionalidade, por meios da mais estreita cumplicidade, solidariedade.

1.3.4) Esse vassalo é o senhor dos senhores sendo servo dos servos de Cristo. Ele chefia a nobreza de modo que esta sirva ao povo. Assim, clero, nobreza e povo trabalham em sintonia, de modo que os estados gerais componham um todo orgânico fundado na conformidade com o Todo que vem de Deus. É por essa razão que toda contribuição à causa salvífica em que Portugal está envolvido é um sacrifício digno de louvor, causa de nacionidade.

2.1) Onde o Estado é totalitário, esse sacrifício tende a ser voltado para o nada, uma vez que as leis não observam os mandamentos de Deus, pois o Estado é tomado como se fosse religião, em que tudo está no Estado e nada pode estar fora dele ou contra ele. É o retorno do governo do Faraó, que faz dos sujeitos à autoridade desse tirano escravos de seus caprichos mais mesquinhos.

2.2) É com base nesse despotismo faraônico que muitos acabam se reduzindo a escravos, por conta de uma dívida tributária impagável por força do sucessivo aumento da carga tributária, a tal ponto que a propriedade privada acaba toda passando para as mãos do Estado. E é no Estado que se concentra todo o poder de usar, gozar e dispor, a ponto de criar um verdadeiro inferno na Terra, um verdadeiro absolutismo.

2.3.1) Eis a prova cabal de que o comunismo deriva da pretensa busca por liberdade fora da liberdade em Cristo, que é a verdade em pessoa.

2.3.2) Basta se conservar o que conveniente e dissociado da verdade que o senso de tributo, que deve ser dado a Deus, é voltado para o nada, a ponto de tudo se reduzir a imposto.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 4 de dezembro de 2017 (data da postagem original).

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