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sexta-feira, 31 de maio de 2013

Comentários à crítica ao distributivismo de Tiago Cabral Barreira

Os seguintes comentários são referentes a este texto: http://tiagocabral91.wordpress.com/2013/05/28/liberalismo-e-distributismo/

Tiago Cabral: "A escola austríaca de economia defende a praxeologia, ou seja, que o estudo do mercado deva ser todo baseado em deduções lógicas extraídas a partir de um fato irrefutável e parte da premissa de que toda ação humana visa a um bem determinado. Esse fato enunciado por Ludwig von Mises, e explicado à maneira kantiana como um dado a priori, também encontraria respaldo na filosofia clássica e tradição escolástica católica".
Crítica de José Octavio Dettmann:
1) Quando se busca a satisfação das necessidades humanas, há que se considerar os bens lícitos, bons por si mesmos, fontes de toda a virtude, por estarem conforme os planos do Criador, e os bens ilícitos, fontes de todo o vício e pecado, maus por si mesmos, cuja busca em si nos afasta desses planos.

2) O estudo da praxeologia, por ser de essência formal e por não permitir fazer juízo de valor, permite a escolha otimizada, racional e eficiente acerca de quais seriam os melhores meios para se satisfazer um fim, que é a necessidade humana. A praxeologia é neutra, indiferente quanto ao valor do bem em si - e nem todo fim buscado para saciar uma necessidade é honesto e bom por si mesmo.

3) Exatamente por isso que falei no ponto 2 de minha crítica que o estudo da praxeologia deve ser limitado a fornecer quais seriam os melhores meios para atender as necessidades humanas boas por si mesmas, conforme à verdade revelada - o que é ruim, nefasto não deve sequer ser objeto de consideração, de deliberação, pois fazer ciência no mal é perverter a verdade e promover a mentira, tal como se verdade fosse. Sem esse limite, ocorre a ruptura completa entre economia, enquanto estudo da ação humana, e a moral. Esse divórcio é a causa do relativismo moral, pregado por todos os libertários.

Resposta de Tiago Cabral:

Concordo que o kantismo traz em seu cerne o relativismo moral, mas a lei econômica pode ser defendida sem Kant. Rothbard usava o princípio escolástico de que toda ação visa um bem como fundamento da lei praxeológica sobre o qual se deduz toda a lei econômica. E separar campos de estudos em ciências naturais e morais, não implica na relativização deste último. Ajudar o próximo é bom moralmente, mas ela não pode violar leis dadas pela natureza, como a gravidade, ou as leis do mercado.

Resposta de Guilherme Freire a Tiago Cabral:

1) Eu acho bom que ela seja defendida sem Kant. Só que a separação de estudos em categorias estanques não pode ser confundida com a própria realidade. Nenhuma ciência é capaz de abarcar os vários fatores complexos da realidade e concatenar eles. Reduzir a economia a algo como meras "leis do mercado", e excluir fatores políticos, morais, entre outros é fugir da realidade. Esse é um problema de quase toda a Escola Austríaca (não só a de economia, Weber perdeu a cabeça por causa disso).

2) Me parece que a Escola Austríaca foi a que chegou mais perto da realidade, em comparação com escola keynesiana ou mesmo a monetarista. Muito do que é dito por Hayek, Mises e outros é verdadeiro. No entanto, isso não é o bastante, pois negligencia uma série de outros conhecimentos, na busca da tal ciência pura kantiana que, na verdade, não existe. Pior são os que tentam transpor constatações de mercado para a ética, como Ayn Rand.
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Tiago Cabral: "Thomas Woods, em seu livro The Church and the Market: A catholic defense of the free economy, mostra como o pensamento econômico liberal e sua doutrina subjetiva e voluntarista se desenvolveu no seio da Igreja Católica. Os Escolásticos tardios Juan de Mariana, San Bernardino de Siena e Sant’Antonio de Florença criticaram as regulações de salários como geradoras de desemprego, bem como controle de preços e segredos de informações em guildas. Eles foram os primeiros a ter um entendimento sobre o real funcionamento do mercado. Usando a prova lógica, argumentavam como as regulações impostas pelas guildas levariam a fins contrários ao que se pretendiam inicialmente, e que havia uma lei natural de mercado, imposta pela Divina Providência, sobre a qual todos devem se submeter."

Crítica de Guilherme Freire: os Escolásticos tardios, nos quais o Woods se baseia, não são liberais que magicamente brotaram de um meio hostil ao livre mercado. Eles são a continuação do próprio pensamento econômico desenvolvido por São Tomás de Aquino, que é a base do distributivismo. O que ele viu de liberal nos escolásticos espanhóis é um dos aspectos do distributivismo, que se baseia na livre iniciativa. Acho curioso que ele saiba tão pouco sobre o assusto. Nunca vi ele discutindo a noção de distribuição Universal, que nada mais é do que dar a cada um o que é devido, ou a filosofia tomista por trás das encíclicas.

Crítica de José Octavio Dettmann:

1) Há que se considerar também o sentido de liberdade, defendido pela Igreja. A livre iniciativa, como um elemento do dom de si, deve ser exercida para se chegar a um fim, que é bem servir à verdade, ou seja, de servir bem a quem necessita e estar conforme os planos de Deus.

2) Um dos quatro pressupostos da qualidade dos bens está justamente no poder se dispor deles para servir a um determinado propósito - e esse propósito deve ser necessariamente bom para ser útil.

3) O conceito de bem, fundado na verdade, antecede à utilidade. Como a verdade não é minha e nem sua para que seja nossa, a utilidade de um bem se difunde em razão do seu uso sistemático, difundido e ampliado, já que é bom por si mesmo - e isto é a causa da chamada "mão invisível", descrita por Adam Smith. É o caso dos costumes, dos padrões de qualidade, procedimentos técnicos. Isso favorece à integração social e a responsabilização os indivíduos em sociedade.

4) O liberal vê a liberdade como uma libertação de uma amarra. Sua visão de justiça ou de injustiça depende daquilo que é conveniente, enquanto política de Estado que possa maximizar riqueza para toda a população. Exemplo: vender ópio para a China é bom para a Inglaterra porque gera divisas, mas não é bom por si mesmo porque gera um bando de gente viciada e prejuízo de cunho social para toda a China. A utilidade da medida, para o liberal, antecede os valores e podem ser aplicados pelo governante, mesmo que sejam reprováveis, se eles beneficiarem a população de seu país, ainda que às expensas da outra. O utilitarismo da medida econômica se divorcia dos valores fundados na lei divina.

5) As conveniências, se não estiverem fundadas na justiça, são fonte de verdadeiras relações de assimetria do poder, causa de todo conflito, seja no âmbito do Direito Internacional, ou no Direito Interno, principalmente nas questões de Direito do Trabalho ou Direito do Consumidor.
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Tiago Cabral:

"No século XIX, historiadores alemães criariam um falso mito sobre o pensamento econômico medieval, e uma ênfase excessiva foi dada a von Langenstein e sua noção de preço justo. Woods continua:

'Esses historiadores glorificaram uma sociedade de status não-existente na qual cada pessoa e grupo se encontrava em uma estrutura hierárquica harmoniosa, não perturbada por relações de mercado ou ganância capitalista. [...] Essa visão sem sentido da Idade Média e doutrina escolástica foi primeiro proposta por socialista alemães e historiadores corporativistas estatistas Wilhelm Roschner e Werner Sombart no final do século XIX.'

Essas teorias historicistas sobre a economia rejeitariam os pressupostos da lei econômica, tida como um abstrativismo generalizante. As relações econômicas seriam apenas produtos arbitrários de circunstâncias históricas e possíveis de serem corrigidas pela vontade humana. Não existe mais preço de mercado definido por oferta e demanda, mas “preços justos” fixados por guildas e governos. Um salário não mais é definido pela lei natural do mercado, correspondente ao grau de escassez do trabalho e as circunstâncias de atender as necessidades dos consumidores, mas deve ser determinada arbitrariamente pelo empregador conforme critérios de subsistência do trabalhador.

A Doutrina Social da Igreja muito incorporaria dessas ideias. Segundo a Rerum Novarum:

“Façam, pois, o patrão e o operário todas as convenções que lhes aprouver, cheguem, inclusivamente, a acordar na cifra do salário: acima da sua livre vontade está uma lei de justiça natural, mais elevada e mais antiga, a saber, que o salário não deve ser insuficiente para assegurar a subsistência do operário sóbrio e honrado. Mas se, constrangido pela necessidade ou forçado pelo receio dum mal maior, aceita condições duras que por outro lado lhe não seria permitido recusar, porque lhe são impostas pelo patrão ou por quem faz oferta do trabalho, então é isto sofrer uma violência contra a qual a justiça protesta. “

Essa constituiria a formulação moderna de salário justo. Tais intenções e propósitos de valorizar a dignidade do trabalho são nobres e bons, e não é a questão principal a ser discutida aqui. Mas tais propósitos jamais serão alcançados sem respaldo na lei econômica. Não é possível definir o melhor salário possível sem que haja livre vontade entre operário e patrão"

Crítica de Guilherme Freire:

1) O distributivismo não é historicismo, pois o seu fundamento principal não é o isolamento do aspecto histórico, no seu sentido mais puro, divorciado de outros aspectos, com o fim de se criar determinismo ou fatalismo. Isso contraria a doutrina do livre arbítrio, fonte da livre iniciativa. Belloc isola o aspecto histórico no sentido de destacar ou melhor explicar o fato - a análise dele não faz tábula rasa e não depende de purismo metodológico algum para ser compreendida nesses termos. Se a análise dele estiver errada, isso não invalida a proposta distributivista. De qualquer forma, me parece que as previsões dele foram muito acertadas. Ainda que essa seja uma corrente, existem outras correntes dentro da teoria distributivista (a começar pela teoria da nacionidade de Dettmann, é claro)

2) A idéia de um preço regulado pelo Estado é incompatível com o distributivismo. Aliás, a burocracia estatal moderna é incompatível com o distributivismo.

Resposta de Tiago Cabral a Guilherme Freire:

1) Reconheço que o distributivismo é contrário a burocracia estatal moderna, mas ele, ainda assim, defende a regulação de preços, operada pelas guildas. Tais associações eram o alvo das críticas dos escolásticos tardios e vejo isso como contrário à livre iniciativa.

Tréplica de Guilherme Freire:

1) Só que o distributivismo não é necessariamente a favor do controle de preços pelas guildas. o ponto é que me parece claro é que o Woods acha que distribuição universal tem algo haver com Estado ou burocracia, o que não é verdade.
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(esta postagem está inacabada. Ela será ampliada em uma outra oportunidade)

Resposta a acusações dos liberais quanto à Encíclica Rerum Novarum

Os liberais costumam apontar 8 acusações sobre a Rerum Novarum. Estas são as acusações:

A) Que a Igreja Católica está equivocadamente fundada na teoria materialista do valor-trabalho.

B) Alegam que a Teologia da Libertação é uma conseqüência extrema disso.

C) Acusam a Igreja de achar que o capitalismo conduz os operários à revolta e que isso é justamente endossar a teoria de Marx.

D) Que a Igreja está usando argumentos iluministas para atacar ao Iluminismo.

E) Que está fundamentada no empirismo inglês, que por si só nega a existência de uma ordem
metafísica.

F) Com base nesse empirismo,  acusam a Igreja de negar a capacidade de inteligibilidade dos objetos, permanecendo apenas os dados exteriores imediatos.

G) Com base no empirismo, acusam a Igreja de ser incapaz de enxergar o papel do empreendedor, que investiu, planejou e especulou ao produzir. O trabalhador, à luz desse empirismo, teria mera função acessória.

H) Falam que a Rerum Novarum precisa ser reformulada na posteridade.

Em resposta, eu aponto preliminarmente o seguinte (e nem é preciso que se examine a Rerum Novarum, de modo a impugnar estas acusações hostis, genéricas e sem fundamento):

01) No livro A Lei, Bastiat explica que a produção deriva das nossas faculdades e disso emana a propriedade. O argumento deriva do princípio da ocupação e da transformação das coisas - estar diretamente envolvido na produção significa que você é proprietário da coisa, por conta do vínculo que você tem com ela por conta da ocupação economicamente organizada.

02) Quando se é empregado, isto significa uma coisa: que você vai colaborar com a atividade empresarial em troca de um salário, o qual, geralmente, tem caráter alimentar. Esse empregado estará sendo subordinado a um comando que lhe dirige o trabalho no ritmo, na quantidade e qualidade. Ele é um longa manus do empregador - tende a manter a coisa por detenção, agindo por meio de instruções, tal como o caseiro.

03) Como ele, o empregado, não está disposto a esperar o resultado decorrente das vendas da produção, ele não se torna sócio - e a própria natureza do empreendimento dele é de prestar o serviço a quem mais lhe bem pagar, já que esse serviço se dá de maneira impessoal, por ser um serviço destinado à atividade empresarial e não a um dono, o qual pode vender seu negócio, enquanto a empresa está trabalhando, produzindo e gerando boa rentabilidade - isso em tempos de vacas gordas.

04) O empregado não se torna proprietário da coisa, já que ele renunciou ao desejo de aguardar o resultado da venda da produção, cujo lucro é repartido entre os sócios. Em resumo: o empregado, por não ser sócio, renuncia ao risco inerente de toda a atividade empreendedora: ao lucro decorrente do produto da venda dos serviços prestados. E ao assumir esse risco, na qualidade de sócio, o eventual lucro será distribuído entre os sócios levando-se em conta o quanto seu desempenho foi decisivo para o sucesso dessa iniciativa.

05) Se o empregado resolvesse esperar, poderia perceber uma renda maior, em razão da distribuição do lucro entre os sócios. Isso só confirma o que Chesterton disse: que o capitalismo concentra a propriedade na mão de poucos sócios, enquanto o distributivismo aplica o conceito da capitalização moral ao convidar o trabalhador para ser sócio da empresa, fundado na pessoalidade - tomando por base as qualidades inerentes do trabalhador -, na reciprocidade e na mútua confiança. Ao distribuir responsabilidades, distribui-se também o prêmio pelo serviço prestado, criando uma relação trabalhista horizontal, típica de sócios, e não vertical, típica de comandantes e comandados.

06) O maior problema hoje, no Direito do Trabalho, quando se atende a uma economia de massa, é que os contratos tendem a ser contratos de adesão, o que caracteriza assimetria, fundada no poder econômico desigual entre as partes envolvidas no contrato, o que pode levar ao risco de se perverter a igualdade perante à lei, bem como a ordem jurídica. Como há muitos procurando emprego, a tendência é o empregador pagar um salário mais baixo.

07) Este é um dos problemas na chamada economia impessoal, pois ela tende a ser desumanizadora, já que ela é indiferente às angústias e ao sofrimento humano. Além disso, ela também coisifica o homem, a ponto de perverter a ordem fundada na confiança.

08) O mecanismo do contrato de adesão impede que os empregados se tornem sócios de uma empresa, dado o caráter temporário da relação - e isso é mesquinho. Não é à toa que os juristas apontam isto como uma crise da autonomia da vontade, essencial ao bom direito, pois os contratos de adesão em si mesmos pervertem a autonomia da vontade, enquanto atendem à lógica utilitarista e pragmática de quem comanda uma empresa tal qual uma máquina.

09) Agora, quando a economia se torna personalista, vale muito à pena recrutar o trabalhador certo para uma atividade específica, dentro de uma determinada circunstância.

10) Como os indivíduos diferentes possuem características diferentes, a tendência é que a combinação de faculdades e capacidade de produção se escasseie em relação ao capital, fazendo com que o trabalho seja bem mais remunerado.

11) A questão da economia personalista está dentro da tradição católica, está dentro do sentido de ser do cristianismo e não contraria o espírito da Rerum Novarum. E esta é a linha que a CIEEP está desenvolvendo.

Comentários finais:

1) Isto é o resumo dos debates que tive sobre distributivismo.

2) Os liberais costumam fazer impugnação hostil, fundadas em abstrações generalizantes. Os pontos podem ser respondidos de uma maneira geral (da forma como eu fiz) ou respondidos ponto a ponto, o que melhora a qualidade do trabalho. Desnecessário dizer que o distributivismo não nega o empreendedorismo e o lucro.

Postagens relacionadas:

1) Para se tomar o país como se fosse um lar, é preciso que se tome o local de trabalho como se fosse a extensão de seu lar, de seu mundo interior: http://adf.ly/jN1PA

2) Debate sobre a organização do trabalho, no âmbito do distributivismo: http://adf.ly/1PsJeD

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Depoimento que fiz a um amigo sobre empreender no facebook, servindo à verdade


1) Eu sempre tive uma tendência a trabalhar com organização. No facebook, eu tenho também focado a distribuição de informações. Mantenho um estoque de links no meu adf.ly - e toda vez que é preciso rever algum dado, eu o republico, com o intuito de estimular o debate. Foi só fazer isso que muitos passaram a colaborar comigo voluntariamente. E também o número de pessoas que passou a me acompanhar e a me adicionar aumentou.

2) Além disso, também escrevo artigos. Não escrevo todos os dias como o Olavo ou o Rodrigo Constantino, mas, quando faço isso, eu o faço quando tenho alguma coisa pra dizer. Isso não só faz com que minha produção seja consistente, como também atrai mais gente também, pois são poucos hoje em dia, aqui no Brasil, que chamam a atenção para assuntos relevantes, falando de maneira sincera e sem ficar fazendo média com ninguém, tal como tem feito o Olavo - é por essa razão que eu sigo o exemplo dele, da melhor maneira que eu posso. Constantino, o queridinho dos que se dizem de direita da boca pra fora, é só um moleque, quase quarentão, que só sabe regurgitar a doutrina liberal feito um bovino. E eu já percebi que o liberalismo tem muitas falácias.

3) Os liberais só sabem repetir as mesmas coisas, tal qual um velho chavão socialista. Eles não buscam estudar a realidade - e é desse estudo que se consegue chegar a uma solução para os problemas que enfretamos na nossa realidade, enquanto nação. É exatamente isso que o Olavo faz.

4) Eu estou muito longe de oferecer uma solução tal como o Olavo está fazendo - isso só decorre após muitos anos de estudos. Isso que ele faz é uma vantagem dele, em comparação ao que eu faço. Mas o fato de estar digitalizando também ajuda as pessoas - o que faço, de certa forma, completa o trabalho que o Olavo está fazendo.

5) Por conta da influência do Olavo, eu estou empreendendo no facebook, como um intelectual independente. O trabalho de fazer as pessoas perceberem a verdade está à frente do lucro - se o lucro estivesse à frente do trabalho de informar, a tendência seria eu impessoalizar a minha produção, a ponto de escrever qualquer besteira, a ponto de vender meu livro tal qual banana na feira, tal como muita gente na imprensa tem feito. 

6) Só no dicionário é que o lucro (L) vem à frente do trabalho (T). Na vida, o trabalho é causa do lucro, mas o lucro não é uma conseqüência automática: depende da eventualidade, das circunstâncias, da sua capacidade de ler os fatos e de reagir, de maneira organizada, e ofertar aquilo que está sendo demandado, eventualmente falando. Isso só confirma a natureza de risco do empreendimento.

7) O risco está relacionado à própria dinâmica da vida - você só será bem-sucedido se você souber muito bem responder às mudanças da vida. E num país onde a imbecilidade reina, o trabalho de você formar pessoas informadas é de longo prazo - é um trabalho muito necessário e as pessoas inteligentes estão demandando informação, muita informação. E esse precisa ser necessariamente desinteressado, fundado na bondade e na caridade - e você precisa servir a todos aqueles que amam e rejeitam as mesmas coisas, tendo por Cristo fundamento. A própria liberalidade de fornecer doações e, através delas, financiar a quem faz um bom erviço se funda no fato da caridade, de se importar com o que é feito, já que este beneficia a todos a seu redor. Liberal nenhum fornece solução para a mudança do quadro clínico do país, pois eles fazem do amor ao dinheiro uma verdadeira ideologia.

8) Os liberais são tão iguais aos marxistas. Por isso que não os levo a sério. Embora os austríacos tenham descoberto muita coisa interessante, a aplicação deste conhecimento precisa ser moderada, temperada com a sã doutrina católica. Mises já teve a oportunidade de se referir à Igreja com xingamentos.

9) Quanto ao que significa ser rei, Mises também não é muito sensato. Mises falou a besteira que o rei do chocolate não rege, mas serve. O rei, como patriarca de uma nação, também serve, ao reger. Ele serve a Deus e ao seu povo, ao fazer a caridade de bem regê-lo de modo a que possa prosperar economicamente e moralmente, na tentativa de fazer um país ser tomado como se fosse um lar em Jesus Cristo. A regência é uma forma de pastoreio, de serviço - um tipo de evangelização. Já o rei do chocolate, como organizador da atividade empreendedora, quando toma o serviço dos empregados, ele também rege. Ele determina, com base no planejamento econômico, nas estimativas colhidas em mercado, o quanto deve ser produzido, em que condições e em que qualidade. Se ele é eficiente e serve bem, o trabalho dele será tomado como uma referência para os futuros empreendedores. Mas a regência dele tenderá a tirania, se o amor ao dinheiro for o norte do empreendimento.

Comentários finais:

1) A razão deste depoimento tem caráter autobiográfico. Esta é a visão que eu tenho sobre como usar as redes sociais a serviço da caridade, do amor ao próximo e da liberdade de nosso país. O processo de continentalização das almas inteligentes, isoladas geograficamente num oceano de ignorância e estupidez mundanos, inevitavelmente começa através da rede social. Conversando com gente mais inteligente, você se sente mais comprometido com o seu amigo que está no Rio Grande do Sul ou em algum lugar distante do país do que com aquele que é seu vizinho de porta, num condomínio, e que não tem nada a te acrescentar, a não ser aborrecimento.

2) Se amizade é unir-se a uma pessoa que ama e o odeia as mesmas coisas que você, então a Internet é uma fonte magnífica de caridade intelectual - e isso gera nacionidade, pois faz você tomar o seu país como se fosse um lar - afinal, seus amigos também moram nele. Você não se sente isolado quando você toma o seu país como sendo o seu lar - e se você tiver ao seu lado pessoas que amam e odeiam a mesma coisa que você, ainda que dispersas pelo país afora, você se sentirá ainda mais fortalecida. Não há solidariedade sem amizade - ela gera o senso de ser parte de algo maior do que você mesmo e te põe a serviço de Deus, ao mesmo tempo.

Ver também:

1) Um desabafo sobre a falsa liberdade de expressão: http://adf.ly/1QgWlB

2) Marxismo é uma forma de loucura desagregadora - e o positivismo não fica atrás: http://adf.ly/1Qgia6

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Considerações sobre a essência de uma guilda medieval


01) Os liberais costumam nos acusar dizendo que uma sociedade de guildas, cuja base de operação é o monopólio e o sigilo, seriam moralmente superiores, do ponto de vista distributivista. Esta acusação revela à má-fé dos liberais, já que ignoram a natureza essencialmente cristã das corporações de ofício.

02) A base da organização de uma Guilda medieval se dá por conta do princípio da confiança, da reserva moral. Decorre de uma relação de mestre e discípulo, que deriva diretamente da relação do pai com o filho. Essencialmente, ela é uma escola e, ao mesmo tempo, uma associação onde todos da mesma classe profissional se reúnem de modo a que possam aprender os segredos da profissão, de modo a bem exercê-la na sociedade, responsavelmente. É uma sociedade mais pessoal e mais humana que as OAB's da vida de hoje em dia, que só pensam no dinheiro.

03) As guildas eram sociedades fechadas, com o intuito de proteger os seus associados e os segredos da profissão de modo a que fossem mal usados, pois o mau uso das técnicas profissionais acarreta dano irreparável à sociedade, como vemos por aí na advocacia, onde muitos advogados se prostituem e patrocinam um monte de causas que, em si mesmas, pervertem a ordem jurídica de nosso país. É claro que, quando a ganância falou mais alto que a caridade, a natureza fechada da guilda de proteger os seus associados se tornou a base do corporativismo, característica essencial do fascismo.

04) As leis estatutárias que regiam os associados de uma guilda. por serem consuetudinárias, é que eram aplicadas, no tocante à solução de conflitos, e não as leis do Estado - na época, as relações do Estado se fundavam nos direitos decorrentes da Terra (relações civis), e não das relações decorrentes do comércio ou da prestação de serviço, que eram a base sob a qual se assentavam as corporações e ofício.

05) Hoje as associações são livres e vigiadas pelo Estado. Mas o problema das associações modernas é o mesmo que decorre do fato de que qualquer um pode fundar a associação que quiser, para toda e qualquer finalidade, desde que permitida pela lei: a tendência à impessoalidade, a extrema facilidade para sua disolução e a falta de senso de fraternidade e solidariedade entre seus membros. Não existe senso de comunidade entre os membros de uma associação moderna - o que há em comum entre elas é o interesse em comum, às vezes transitório, às vezes permanente, mas o mero interesse em comum é apenas circunstancial. Sem a sincera amizade, uma associação de homens livres não terá a vitalidade de uma guilda medieval, que deriva da tradição cristã, pois os homens devem amar uns aos outros, assim como Cristo nos amou e nos compreendeu. Sem o companheirismo, não há sentido para uma associação livre de seres humanos.

06) À Guilda se aplica os mesmos elementos que Aristóteles descreveu na teoria das formas de governo das cidades-estado: da perversão da guilda, quando do pecado da avareza, nasce o corporativismo. Se não estiverem corrompidas, são uma organização melhor que as OAB's de hoje.

07) É preciso que Cristo seja restaurado como o norte da sociedade de modo a que estas instituições voltem a funcionar. A diferença é que este tipo de associação poderia ser um pouco mais aberta, pois o ofício deve ser livre, mas exercido com responsabilidade. Isso daria margem a que pessoas novas possam começar na carreira, pois a Igreja Católica, que é a base que dá origem a estas instituições, é aberta a novos membros. O problema da corrupção deste tipo de instituição, o corporativismo, precisa ser mais bem vigiado. Como fazer uma associação reservada, de modo a que seja pessoal, fundada no amor de Cristo, e ao mesmo tempo aberta a novos membros? É esta zona cinzenta que se perdeu quando esta instituição foi abolida da sociedade. O liberalismo revolucionário era tão forte que romperam radicalmente com a base essencial de uma guilda, a solidariedade entre os membros, própria do Cristianismo.

08) Por isso que rejeito qualquer atitude progressista, fundada na moda de momento. Ela joga na lata do lixo o melhor conhecimento dessas zonas cinzentas, que mereciam uma melhor análise, se estas instituições ainda realmente existissem na sociedade. Como não temos equivalente vivo, sou obrigado a ter que refletir sobre isso através do que é essencial, fundado naquilo que Cristo nos ensinou. Modelos ideais podem não ser perfeitos, mas dão uma idéia do que seria uma instituição, se ela fosse viva. É como estudar um esqueleto de dinossauro.

Comentários finais: a razão pela qual escrevi este artigo é para responder às injustas acusações que os liberais nos fazem de que as guildas são a causa do subdesenvolvimento de um país. A falta de Cristo, que é o que permeia a mente de um liberal, leva à mentira e à falsidade. Ela antecipa em muitos aspectos a postura socialista, que é mentira sistemática até a chegada do poder.

Postagens relacionadas:

1) Para se tomar o país como se fosse um lar, é preciso que se tome o local de trabalho como se fosse a extensão de seu lar, de seu mundo interior: http://adf.ly/jN1PA

2) Debate sobre a natureza da organização do trabalho, no âmbito do distributivismo: http://adf.ly/1PsJeDh

3) Distributivismo não é fascismo - muito menos, corporativismo - Parte 1: http://adf.ly/atr9B

4) Distributivismo não é fascismo - muito menos, corporativismo - Parte 2: debate entre Leonardo Faccioni e Leonardo Oliveira (Conde Loppeux de Villanueva): http://adf.ly/aw5U0

domingo, 19 de maio de 2013

Comentários sobre alguns dos efeitos que Hernando destacou sobre os benefício da propriedade junto à população

1) Em O Mistério do Capital, Hernando de Soto destacou que a propriedade produz 5 aspectos extremamente vantajosos sobre a sociedade, mas eu destaco particularmente dois, para efeito de comentário: a integração entre as pessoas e a responsabilização moral, legal e patrimonial das pessoas em sociedade.

2) Com relação à questão da capitalização moral, à medida que você vai acumulando capital, em razão do seu trabalho ao longo do tempo, enquanto você serve aos seus semelhantes, a tendência é você investir naquilo que lhe é mais precioso e caro. Se você tiver Deus no coração, é de muita caridade ensinar as pessoas a usar o dinheiro sabiamente, de modo a que possam se tornar independentes, de modo a que possam crescer de maneira livre e responsável, ao servir seus semelhantes na sociedade. Se necessário, empreste o dinheiro - a remuneração desse empréstimo através dos juros fica facultativa, pois não é parte da natureza da capitalização moral ficar rico a todo e qualquer preço, uma vez que a integração social está muito relacionada ao fato de que você conhece seus irmãos e você se importa com eles, já que estes, seus irmãos, são fundamentais à sua vida. Se os juros forem convencionados, que sejam baixos e que sejam decorrentes da gratidão que essa pessoa terá por você ao ajudar a financiar os projetos dela, de modo a que esta também possa servir a outros também. Uma pessoa responsável sempre pagará por aquilo que você emprestou e ainda te dará algo a mais, em generosidade.

3) Ao distribuir dinheiro, através do empréstimo generoso, as pessoas começam a se integrar uma a outra no sentido de uns colaborarem com os outros. Sociedades de pessoas vão se formando em razão do trabalho estimulado decorrente do serviço que você prestou. Ao distribuir esse dinheiro, permitindo que outras pessoas possam também ter uma atividade produtiva, de maneira séria e responsável, você está ensinando responsabilidade a essas pessoas - ou seja, você está distribuindo as vantagens decorrentes da riqueza decorrente do trabalho por toda a sociedade. Isso é distributivismo. Por isso, conheça bem os que estão ao seu redor e ajude. Não espere receber algo em troca - deixe que Deus proveja isso pra você. Se os juros se colhem em razão do tempo, deixe que o senhor do tempo, que é Deus, trabalhe pra você, pois ao emprestar ao seu semelhante, você a Ele também empresta. Por isso, confie n'Ele, reze para que o negócio de seu semelhante dê certo e o mais Ele fará.

4) Quando você empresta dinheiro com o propósito de ficar rico através do trabalho alheio, você está sendo ganancioso. A natureza dessa relação se funda no dinheiro e não da confiança, decorrente de uma relação pessoal. Essa relação impessoal leva à indiferença pelo ser humano e sempre exigirá garantias de modo a que o dinheiro seja pago. Essa relação será regida por lei e haverá sanção para quem mal a cumprir a convenção contratual. Inevitavelmente, a relação de consumo decorrerá de uma relação de conflito. Esta é a responsabilidade legal, fundada na ordem no dia de que é o dinheiro, e não os valores morais, que regem a sociedade. Esta é a ordem do dia dos que defendem a liberdade para todo e qualquer fim e uma ordem sem Deus.

5) É preciso dizer que os valores morais, fundados no fato de que somos cidadãos do Céu, estão acima de toda e qualquer responsabilidade fundada nas leis dos homens, se elas estiverem divorciadas de Deus. Onde as leis dos homens falham, a lei de Deus está ali para garantir que existe uma ordem justa - e que a injustiça tem que ser corrigida, através de um governo que observe esses preceitos. Se você crê em Deus, você agirá de modo a que a Ordem e Justiça prosperem, de modo a que o mal não reine em sua sociedade. Assim, seu país será tomado como se um lar fosse (nacionidade).


Dicas de Economia - Margem de Reserva Patrimonial e Margem de Financiamento


1) Atentem bem para a diferença entre a margem de reserva patrimonial e margem de financiamento

2) A margem de reserva patrimonial é aquilo que você tem e que vai ser usada pra te tirar de um eventual sufoco. Não pode ser dilapidada. Um exemplo: você tem 1000 reais. Dependendo da sua necessidade, você pode deixar uma margem de 50% a 80% de dinheiro como reserva (se optar por reserva de 50%, a outra metade, 500 reais, será usada para financiar seus projetos e interesses; se optar por garantir 80% - 800 reais -, você terá 200 para gastar no que quiser).

3) A margem de financiamento é aquilo que você reserva para poder investir, no sentido de satisfazer as suas necessidades. É o seu orçamento e se baseia no princípio de que toda entrada (decorrente das vendas, do salário, pro exemplo) corresponde a uma saída (decorrente das compras, por exemplo). Suponhamos que eu tenha 800 reais, já devidamente reservados, e que acabo de receber 120 reais decorrente da venda de alguma coisa - todas essa receita que recebi nas vendas vai para o meu orçamento; se eu gastar 90, sobram 30. Se não houver nenhuma necessidade adicional a satisfazer, a sobra vai automaticamente pra minha reserva,pois nunca se sabe o que vai vir amanhã para nós.
4) O que você vai gastar ou poupar vai depender de você. As margens de poupança e de financiamento que serão estabelecidas ao longo de sua existência neste mundo dependerão de você também. A margem é subjetiva, pois varia de pessoa para pessoa. Dependerá de bom juízo e de prudência para que o fruto do seu trabalho acumulado seja sabiamente usado, seja a seu favor, seja a favor de terceiros. Por isso sempre tenha Deus no coração, de modo a que possa fazer uma boa escolha.

5) Evite a avareza, no sentido de poupar por poupar. Seja generoso, sim, pois ajudar a quem precisa é muito bom. mas não seja insensato a ponto de dilapidar seu patrimônio, a ponto de cair em miserabilidade, de modo a ficar dependente da boa vontade dos outros, coisa muito escassa neste mundo. O verdadeiro sentido da capitalização moral está no sentido de saber fazer bom uso da riqueza e fazer boa destinação daquilo que será arrecadado, em razão do fruto do seu trabalho. Administrar bem o seu patrimônio implica promover o bem comum como a ordem do dia. Por isso, seja sensato e modesto nos seus gastos. O excesso e a imprudência são pecados, pois geram gravosos problemas para a alma humana.